Querido Diário…



Desde que tenho memória que me lembro de ter um diário, de ter necessidade de transpor em palavras os meus sentimentos, de registar os acontecimentos mais importantes da minha vida e de alguma forma exprimir tudo aquilo que nunca iria sair cá para fora de outra forma.

Lembro-me que no início era raro o dia em que não houvesse algo para registar, algo que me deixava angustiada ou extremamente feliz, não fosse eu uma criança, e este registo diário perdurou por vários anos. Com o passar dos anos, os registos deixaram de ser diários mas continuei a registar tudo o que de marcante se passasse na minha vida.

Apenas nos tempos de faculdade esses diários até então registados em papel com direito a cadeado e escondidos pelo quarto passaram a ter um registo digital, em forma de blog ultra secreto (como se tal fosse possível no vasto e complexo mundo da internet..) onde durante algum tempo fui lá depositando os meus sentimentos e pensamentos, mais tarde este registo foi ficando para o fim das minhas prioridades. O ritmo dos meus dias não me permitia ter esse tempo para mim, aquele tempo em que o que eu não conseguia exteriorizar iria ficar registado em palavras, para mais tarde recordar e para naquele momento aliviar o meu coração. 

Agora que olho para trás, penso que se tivesse continuado a ter esse tempo talvez não tivessem sido os anos mais angustiantes da minha vida.. mas isso é tema para um outro dia.

Deixei o diário digital parado no tempo, com registos com os quais deixei de me identificar, até ao dia em que voltei a ter tempo para mim, e que além do diário em papel, voltei a ter um diário digital.
Limpei o blog anterior, guardei tudo o que escrevi, porque embora não me identifique, não deixam de ser palavras conjugadas por mim que a dada altura fizeram algum sentido. Criei esta nova casa, decorei-a ao meu gosto, e por cá vou deixando algumas notas daquilo que é a minha vida e do que me passa pela cabeça.

Os diários em papel, esse continuam a existir, já sem cadeado e sem necessidade de os esconder, com registos quase diários da minha vida. Pode parecer estranho ter uma necessidade tão grande de colocar numa folha em branco as palavras que representam o meu dia-a-dia, os meus sentimentos, as minhas questões, as mudanças, as decisões, a minha vida, mas é uma necessidade para mim tão real como a necessidade de respirar. 






Carta aberta a todos os Web Designers

Odeio sites com música!

Por sites com música não me refiro ao youtube, soundcloud e afins, mas sim aqueles sites que teimam em ter uma playlist pronta a entrar pelos nossos tímpanos assim que abrimos a malfadada página.

Está praqui uma pessoa a descontrair ao som de "A sky full or stars" dos Coldplay, não que goste particularmente de Coldplay mas até estava a agradável, quando de repente como quem abre a porta de uma discoteca, entra-me um som horrível pelos tímpanos (horrível por si só e pior ainda misturado com os coldplay....) e percebo que o site que acabei de abrir tem playlist própria...

E por esta ter sido apenas mais uma gota no oceano, aqui deixo uma cartinha aberta a todos os web designers, freelancers e pessoas no geral que se achem o máximo a criar páginas web completamente inúteis.

"Queridos Web Designers,

Está nas vossas mãos a criação das páginas web a que todos nós, utilizadores comuns, abrimos todos os dias.
Está também nas vossas mãos, encontrar um meio termo, entre o absurdo que o cliente vos pede e o que pode ser criado e colocado online.
Logo, está nas vossas mãos esclarecerem os vossos clientes que páginas web com música ambiente não são agradáveis, podem até causar alguns inconvenientes ao cliente... Imaginemos que o cliente que abre a vossa página está num local onde deve ser discreto, ao abrir a página a musica vai começar a tocar, o cliente vai ficar atrapalhado à procura, ora na página web ora no computador, do maldito botão de mute, e isto pode demorar alguns segundos que vão parecer ao cliente uma eternidade e podem até levar o cliente a fechar a página web e não voltar a consulta-la.
Já que aqui estamos, posso dizer que está também nas vossas mãos transmitir ao cliente que páginas web em flash não são nada apelativos, nem intuitivos, e algo pesados, pelo que sugiro tentarem dissuadi-los dessa ideia maquiavélica.
Páginas web com cores berrantes também não são nada agradáveis à vista, e nós sabemos bem que existe uma palete de cores que se podem aplicar a páginas web, só têm de ser bem conjugadas.

Por agora é tudo..
Grata pela atenção dispensada,
Teresa"





Vida de uma ovelha do rebanho laboral português



Ele é chegar no autocarro das 9.30h, passar no lugar apenas para dizer que já cá está e fugir descontraidamente para o café para a troca de chalaças matinais.

Por volta das 10h regressa ao seu lugar e começa por ligar o computador com a maior descontracção, em seguida prepara a playlist do dia e só depois começa a ver os emails.

Por volta as 11h, como o trabalho está a ser tão extenuante, decide ir beber outro café, não vá adormecer de tanto tédio em frente aos restantes colegas.

Chegada a sagrada hora de almoço, decide novamente desligar o cérebro e passar os próximos minutos a chatear os colegas para irem então de encontro ao repasto.

Depois do repasto, nada melhor do que mais um café e novo momento de troca de chalaças para tentar combater a sonolência pós almoço.

Por volta das 14h horas lá se vê obrigado a voltar a olhar para o monitor e fingir que trabalha enquanto abana a cabeça ao som da playlist escolhida.

Às 16h está na altura de atestar os níveis de cafeina no sangue e de desligar um bocadinho o cérebro, não vá ele entrar em sobre aquecimento.

Às 17.30h é a hora do lanche, por esta hora já está tudo desvairado a ver bolos a rodopiar em sua volta, é melhor nivelar os níveis de glicémia, não queremos que alguém caia para o lado de tanto esforço!

Meia hora mais tarde, e com o bom humor a chegar ao seu pico, é altura de começar a arrumar a secretária e enviar os últimos emails, pois o autocarro chega às 18.30h e não o podemos perder.

Amanha há mais!


(Não há imagem melhor do que a vemos à nossa volta para ilustrar o que acabei de escrever..)


Porque é que as mulheres choram nos casamentos?

Há quem ingenuamente pense que as mulheres choram nos casamentos devido à emoção e ao acto romântico que estão a presenciar, mas posso afiançar que não é bem esse o motivo (com a exceção das mães dos noivos e de alguma irmã mais sensível cujo motivo também não será bem este..).

Ora vamos lá ver o que acontece quando alguém nos comunica que dali a uns 2 ou 3 meses iremos ter um casamento.

Por fora a nossa animação pode ser demonstrada assim “Epah Parabéns”, “Finalmente decidiram tomar esse passo”, “Como é que foi o pedido?” e ainda “Que giro, onde é que vai ser?” (seguida por toda uma conversa em volta do futuro casamento e respetivo copo de agua), tudo isto dito com uma enorme surpresa e alegria, que embora genuínos não estão a ser sentidos a 100%.

Cá por dentro a coisa passa-se de uma forma um pouco diferente e bastante menos entusiástica, enquanto estamos em animada conversa sobre a boda, no nosso cérebro ouve-se “Tenho de comprar um vestido!”, a partir deste pensamento o nosso cérebro começa a emitir alertas como que a chamar a atenção para todas ações que estão inerentes ao casamento que se avizinha.

Entretanto com 2 ou 3 meses pela frente começamos a viagem interminável em busca de um vestido.

Passamos pela tortura dos números que variam consoante a loja em que entramos. Passamos pela tortura dos espelhos dos provadores que foram desenhados e criados com a mais pura engenharia alemã apenas para nos fazer ver coisas que o espelho lá de casa não nos mostra. Passamos pela sauna fornecida pelas lâmpadas existentes nos provadores que nos fazem suar, inchar e ganhar uns cm's. Passamos pelo stress de tentar fechar cortinas de provadores que devido ao seu peso e formato nunca irão fechar por completo. Passamos pelo drama de experimentar 30 vestidos sem que nenhum nos encha as medidas, uns porque são justos de mais, outros são largos de mais, uns são compridos de mais, outros são curtos de mais, uns são tapados de mais, outros são demasiado destapados, uns porque o tecido tem tendência a realçar todos os nossos defeitos, outros porque o tecido simplesmente não é compatível com a nossa pele, uns porque são estampados, outros porque são lisos (esta lista é interminável..). Esta tarefa acaba com alguém descabelado, suado e muito desesperado e não tem de ser apenas quem está do lado de dentro do provador.

Quando finalmente encontramos o tal vestido, de salientar que entretanto já deixamos por terra todas as premissas que tínhamos inicialmente como “não vou gastar mais do que X no vestido” ou “não quero um vestido da cor Y” ou “Não vou querer um vestido com este formato”, podemos então passar para o drama desafio seguinte que será encontrar a lingerie certa que nos permitirá vestir o vestido com tudo no sitio e sem marcas, uns sapatos, uma carteira e uns acessórios a condizer ou que pelo menos se adeqúem ao efeito.

Lá vamos nós novamente para um provador, desta vez nós, o vestido, uma pilha de lingerie e a senhora da loja que tão solicitamente se disponibilizou a ajudar assim que entramos na loja. Depois de aproximadamente uma hora, de termos ganho mais uns cm’s de volume devido às lâmpadas dos provadores e ao veste e despe constante, lá nos conseguimos despachar e sair da loja com mais um saco.

Agora os sapatos, bem aqui não consigo estimar o tempo necessário para a conclusão com sucesso desta tarefa, existem demasiados fatores externos. E a bem da verdade, nós mulheres já sabemos que quando encontramos aquele Sapato pelo qual vamos morrer de amores eternamente, vamos padecer de um dos seguintes males, ou não há o nosso número em nenhuma das lojas e nunca mais vão receber aquele modelo, ou o custo é tão elevado que dói só de olhar para a etiqueta colada na sola do dito.

Passamos à parte dos acessórios, bem aqui pode não ser tão dramático, temos apenas de perceber se para o vestido já escolhido (e não vale trocar de vestido agora!) o que é que podemos adicionar que dê um toque especial sem ficar espalhafatoso (estilo Paula Bobone com um cachucho em cada dedo), ou seja se devemos ou não usar um conjunto de brincos, colar e pulseira, ou apenas uns brincos e uma pulseira, ou outra possível combinação mas sempre dentro de tons que combinem harmoniosamente com o nosso vestido. Parece fácil, mas não é, e também nos vai trazer uma dorzinha de cabeça e umas horas a menos de descanso nas pernas.

Já que falei em pernas, não esquecer de marcar a depilação, e já que estamos numa de marcações, marcamos já a manicura para mãos e pés e como não podia deixar de ser o cabeleireiro. Depois teremos de passar umas horas a ver como é que vamos levar o cabelo, se vai solto, se vai apanhado, se vai liso, se vai com caracóis, se leva algum adorno (e aqui voltamos aos acessórios).

Agora que já vos deixei por dentro do pior cenário para uma mulher quando resolvem largar-lhe a bomba de um casamento, vamos só espreitar a parte do homem..

O Homem recebe a notícia com entusiasmo, por dentro e por fora. Por fora ele resolve demonstrar assim “Parabéns Puto!” “Quando é que vai ser?” “Vai ser grande bebedeira, conta comigo!” “E a despedida de solteiro?”, por dentro o que ele realmente sente é “Aiiii, o Puto vai casar!!” “Vai ser a loucura!” “Vai ser Mega Despedida de Solteiro!”. Por aqui já conseguimos ver algumas diferenças.. (Os pensamentos acima não foram retirados da minha imaginação, embora eu chegasse lá, mas resolvi consultar uma fonte para dar mais credibilidade.)

Na visão do homem, estando exatamente na mesma situação da mulher, tendo 2 ou 3 meses até ao casamento resolve organizar de imediato a despedida de solteiro do amigo que tem de ser “Mega”. Uma semana antes do casamento e porque entretanto houve quem o alertasse para a data, resolve ir comprar uma gravata apenas para levar algo novo ao casamento. Na véspera decide ir lavar o carro, na visão de um homem não é admissível chegar a um casamento com o carro por encerar. No próprio dia toma o seu tempo na escolha de um dos fatos do roupeiro, de uma camisa branca que fique bem com a gravata nova, trata até de engraxar os sapato “Et Voilá”, o Homem está pronto!

Agora perguntam vocês, mas porque raio choram as mulheres nos casamentos?? É de alegria, finalmente todo o stress foi libertado, conseguimos caber no vestido depois de todos os ataques de fome provocados pelo stress, conseguimos encontrar os acessórios certos e uns sapatos lindíssimos, conseguimos tratar das unhas, do cabelo, das 342 zonas de depilação possíveis no nosso corpo, conseguimos disfarçar as nossas terríveis olheiras de quem acordou às 7h para ir ao cabeleireiro no próprio dia, conseguimos passar o raio da camisa branca a ferro 5 min antes de termos de sair de casa.. Conseguimos tudo isto e agora vamos poder passar o dia a rir, a comer, a beber, a dançar e a tirar fotografias até que nos doam os pés!

Objetivo cumprido!

(Não consegui encontrar nenhuma imagem suficientemente ilustrativa desta situação, mas se fizerem muita questão poderei ir buscar uma das fotografias do casamento da minha irmã P. em que todo o primeiro banco atrás da noiva chorava copiosamente, eu incluída está claro!)